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Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
25/08/2014, 06:12
Resposta: #1
Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
Toyota e Volkswagen investiram em modelos que ainda não tiveram
êxito no Brasil, apesar de tão diferentes em proposta: o que deu errado?


Automóveis fracassados do ponto de vista comercial são assunto interessante para os aficionados, a ponto de termos reunido dezenas deles em recente artigo de curiosidades. O investimento de centenas de milhões de dólares em um projeto — mesmo que se trate de implantar a produção local e adaptar um modelo existente no exterior — justifica-se apenas a partir de certo volume de vendas, que varia conforme o segmento e o mercado.

Se esse volume não for alcançado, a empresa vê-se em uma difícil situação. Carros vendidos com descontos afetam os lucros da fábrica e das concessionárias. Precisa-se de bem mais tempo que o previsto para amortizar o investimento, o que não agrada aos acionistas e pode dificultar a aprovação de novos projetos. Em casos de segmentos de grande volume, a marca pode sofrer perda expressiva de participação no mercado, o que afeta sua imagem como um todo e chega a afetar as vendas de outros produtos. Uma reação em cadeia com resultados desastrosos.

No mercado brasileiro de hoje, dois automóveis chamam a atenção pelo risco de entrarem para a lista de fracassados: Toyota Etios e Volkswagen Up. É curioso que isso aconteça com modelos tão diferentes em origem e proposta.

A rejeição ao Etios começou assim que a estimativa
de preços foi divulgada — correções de rota se
fizeram necessárias, com redução de até R$ 5 mil

O Etios, como se sabe, surgiu para países em desenvolvimento. Embora tivesse na manga um hatch pequeno para mercados exigentes — o Yaris —, a Toyota preferiu enxergar em nosso país características similares às da Índia, onde ele entrou em produção em 2010, dois anos antes de ser fabricado em Sorocaba, no interior paulista. Pode-se imaginar o que passava pela cabeça dos japoneses. Se a Renault havia obtido boa aceitação por aqui com o Logan, era natural que um produto parecido com ele em simplicidade estética e mecânica, associado à reputação de qualidade da Toyota, se tornaria um sucesso. Só que não funcionou.

A rejeição começou assim que a estimativa de preços foi divulgada pela empresa, antes mesmo do lançamento — estratégia oposta ao usual, justificada pelo interesse em testar a aceitação do público a tempo de corrigir a rota. Correções que se fizeram necessárias: semanas mais tarde apareciam os valores definitivos, mais baixos em R$ 5 mil na versão de entrada e R$ 3,5 mil na de topo.

Foi o bastante? Não. Quando o mercado conheceu o carro, simplório, com um estranho painel central — de mostradores enormes, marcador de combustível minúsculo e três difusores de ar diante do passageiro — e linhas pelas quais nem os indianos devem suspirar, a recepção foi gelada. Só com polpudos descontos as concessionárias conseguiam desovar os Etios, algo inesperado para quem sempre vendeu com facilidade o Corolla por salgados preços.

De lá para cá, a Toyota fez pouco para reverter o fracasso inicial. Lançou uma versão “aventureira” Cross que chega a ofender pelo mau gosto, buscou um ar sofisticado (!) com a edição especial Platinum, focou nos taxistas em campanhas publicitárias que destacam o custo de manutenção. Mas os números não escondem a dificuldade de emplacar no Brasil um carro popular indiano ao preço de competidores mais desejáveis.

Entre janeiro e julho, apenas 20 mil hatches Etios (números arredondados) ganharam as ruas, ante 108 mil unidades do Gol, 98 mil do Palio, 81 mil do Onix, 75 mil do Fiesta e 70 mil do Uno. O próprio Sandero, derivado do Logan que de certa forma inspirou a Toyota, vendeu mais de 52 mil. Abaixo do Etios estão, em geral, modelos em fim de produção — Clio, Agile, 207 — ou de faixas de preço superiores como C3 e 208. A situação do sedã não é mais promissora: 14 mil carros, uma fração do que vendem os concorrentes Siena (64 mil), Prisma (47 mil) e Voyage (45 mil). Também aqui a vantagem da Renault é consistente, com 25 mil Logans.

Novas reduções de preço, alterações nos pontos mais criticados — como o painel — e investimento em publicidade ainda podem fazer do Etios um modelo bem-aceito, pois o projeto tem qualidades e a marca desfruta elevada reputação. Mas surpreende que um fabricante tão experiente com carros populares, que analisa esse setor do mercado nacional desde o século passado, tenha conseguido mirar tão distante do alvo.

O Up que anda para baixo

O VW Up pode ser considerado o oposto do Etios. Não foi projetado para mercados emergentes, mas para a Europa desenvolvida. Não se baseia na simplicidade e sim em soluções criativas no interior e em eficiência, com um dos mais modernos motores da indústria nacional. Não vem de um fabricante especializado — ao menos por aqui —em carros médios e maiores, mas da marca que há 60 anos sabe vender automóveis do segmento de entrada aos brasileiros.

Sabe mesmo?

O Up nacional surgiu, mesmo que por infelicidade do destino, com a dura missão de substituir o Gol de segunda geração. A VW entendeu que não compensaria aplicar freios antitravamento (ABS) e bolsas infláveis frontais ao velho G4, um modelo de 1994: melhor descartá-lo e deixar a escolha entre o Up, menor e mais barato, e o Gol de terceira geração, sucessor natural do carro que saía de linha. Manter dois modelos no lugar de um só nome trazia o risco de perda de mercado para o Gol, o que se confirmou: este ano ele abriu mão da liderança de vendas em vários meses — até para a Strada — e ao fim de julho, embora se mantivesse em primeiro, tinha sobre o Palio uma vantagem de menos de 10% no total acumulado.

E o Up, o que conseguiu? Depois de um início tímido a ponto de preocupar o fabricante, tem alcançado a média mensal de 6 mil unidades, abaixo de quase todo o segmento — os três mais vendidos giram na faixa de 12-15 mil cada e há mais quatro modelos acima da marca do VW estreante. Até julho (com a ressalva de ter chegado em fevereiro), os 29 mil carros são o que o Gol vende em dois meses.

Seria preciso uma vantagem financeira para
estimular a opção pelo Up, que só por teimosia do
fabricante foi homologado com cinco lugares

O Up tem suas qualidades, é agradável de dirigir e bastante econômico, mas em alguns fatores a VW certamente errou para que a recepção do mercado fosse tão fraca.

Em primeiro lugar, o número de veículos por família no Brasil é baixo, diferente da Europa, e para muita gente é inviável ter um modelo tão pequeno quanto ele como único carro em casa. Seria preciso uma vantagem financeira para estimular a opção por um hatch de 3,60 metros de comprimento e que só por teimosia do fabricante foi homologado com cinco lugares, pois se vê com clareza que deveria ter quatro.

Não apenas falta essa vantagem, como em muitos casos há desvantagem: o Up é caro. Esqueça os preços de entrada, sem os equipamentos que todos procuram hoje. Ar-condicionado só vem de série na última versão (que se divide em três, diferenciadas nas cores), direção assistida aparece da terceira em diante e controles elétricos de vidros e travas são cobrados à parte até na segunda. Ou seja, a VW deixou como opcional aquilo que o consumidor deseja e vários concorrentes oferecem de série — como o novo Ford Ka, que traz os quatro itens citados como padrão em toda a linha.

Nas opções superiores o Up busca um jeito charmoso, com elementos internos na cor da carroceria e diversos cromados, mas custa mais de R$ 40 mil — valor próximo ao de modelos superiores em espaço, desempenho e conteúdo — e supera R$ 45 mil com câmbio automatizado e os demais opcionais. Difícil convencer.

Seria tudo uma questão de preço? Não. A meu ver existe outra pedra no sapato da VW, relacionada a sua imagem no mercado. Basta comparar a aparência de um Gol à de um Palio, em qualquer geração, para perceber a ênfase que os alemães sempre deram à sensação de robustez. Não importa qual deles resiste melhor ao solo brasileiro: você tem a impressão de que o Gol é mais sólido ao primeiro olhar. Assim, a VW começa a disputa em vantagem no convencimento do público acerca de qualidade e durabilidade, cabendo à Fiat demonstrá-las para não ficar para trás.

Voltamos ao Up, e o que vemos? Um carro com aparência quase de brinquedo — curto, estreito e alto, com um para-brisa que começa lá adiante e uma traseira dentro da qual não parecem caber malas. Além dessa arquitetura à qual os brasileiros não estão acostumados, seu aspecto fica longe de transmitir a solidez do Gol. Caso se tratasse de um novo Fiat, tudo estaria no lugar, mas para um VW isso é começar do jeito errado.

Como no caso do Etios, há saídas para o Up. Equipamentos podem ser adicionados, o preço tem como ser reduzido — de forma oficial ou mediante promoções — e o mercado pode acabar se convencendo de que é um bom carro. No entanto, se o erro da Toyota na escolha já surpreende, é ainda mais espantoso que um fabricante tão experiente em Brasil quanto a VW tenha se equivocado ao decidir o que colocar no lugar do velho Gol.

http://bestcars.uol.com.br/bc/informe-se...-emplacam/
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25/08/2014, 11:53
Resposta: #2
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
Excelente reportagem, acho que os problemas realmente são os apontados por quem escreveu o artigo. Mas não acho que o Up seja um fracasso, a cada mês as vendas vem subindo, constantemente, e a VW ainda tem que lidar com as vendas do Gol para este não perder a liderança este ano, e muitas vezes os vendedores "transferem" pessoas interessadas no Up para comprar o Gol. Situação difícil da VW.

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25/08/2014, 12:29
Resposta: #3
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
tekobr,

Concordo com você. É muito cedo para falar que o up! é um fracasso.
Quando comparamos com o Onix, isso fica evidente. Pois o Onix quando lançado também não era lá grande coisa, mas nos últimos rankings o Onix tem ocupado um lugar legal, porém o que poucos mencionam é que isso ocorreu quase um ano após o seu lançamento.
Outro fator é que o Brasileiro tem preferido comprar carros seminovos, e isso não ajuda em nada o up! a crescer em vendas.

Contudo, uma melhora no preço do carro não seria nada ruim. Isso ajudaria a melhorar a posição de vendas do carro e ainda iria distinguir melhor quem é o up! e quem é o Gol no portfólio de vendas da VW.
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25/08/2014, 12:52
Resposta: #4
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
O up foi lançado num momento onde o consumidor não precisa trocar de carro, poucos anos atras com a ilusão do IPI reduzido todo mundo comprou um carro e não precisa trocar agora. Não tem mais espaço nas ruas para carro novo.
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28/08/2014, 03:46
Resposta: #5
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
De fato, o mercado além de parado, o Up! chega com a nova tecnologia que lhe garante as 5 estrelas no Latin N Cap e isso tem um custo, em breve essa tecnologia ficará mais barata.
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29/08/2014, 00:54
Resposta: #6
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
O Etios não emplacou porque seu acabamento interno é de péssima qualidade. Sim, brasileiro não costuma olhar muito isso, mas o Etios é abusar demais da inteligência do consumidor...

O painel verga quando se puxa o abridor do capô, as peças do painel se soltam facilmente nas mãos e tem ISOPOR na coluna das portas dianteiras e por aí vai.

Pelo menos, é seguro ainda... A Toyota mendigou no acabamento, mas não na estrutura do carro.

O Up! não vende muito porque brasileiro de maneira geral é cabeçudo e passional para comprar um carro.

Preferem telão "daora" no painel e demais penduricalhos para impressionar o vizinho do que um projeto que privilegie a segurança, dirigibilidade, performance e economia.

Só ver pela audiência que uma merda de emissora como a Globo tem por aqui, que já temos o perfil de boa parte do povo. Passional, emotivo e que compra as coisas guiado pelas aparências e não pela racionalidade.

Vou esquentar a cabeça porque meu carro não é o mais vendido ou não impressiona o vizinho? De jeito nenhum... O que importa realmente é que comprei um ótimo carro, que me dá prazer ao dirigir, de boa performance e de bom acabamento.

VW Move Up! TSi 2017 Azul Lagoon
VW Jetta TSi 1.4 Comfortline 2017 Branco Puro
Ex - VW Move Up! MPi 2015 Prata Sirius
Ex - VW Golf TSi Comfortline 2015 Branco Puro
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29/08/2014, 14:40 (Resposta editada pela última vez em: 29/08/2014 14:44 por Cleber Antunes.)
Resposta: #7
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
(29/08/2014 00:54)Man On The Edge Escreveu:  O Etios não emplacou porque seu acabamento interno é de péssima qualidade. Sim, brasileiro não costuma olhar muito isso, mas o Etios é abusar demais da inteligência do consumidor...

O painel verga quando se puxa o abridor do capô, as peças do painel se soltam facilmente nas mãos e tem ISOPOR na coluna das portas dianteiras e por aí vai.

Pelo menos, é seguro ainda... A Toyota mendigou no acabamento, mas não na estrutura do carro.

O Up! não vende muito porque brasileiro de maneira geral é cabeçudo e passional para comprar um carro.

Preferem telão "daora" no painel e demais penduricalhos para impressionar o vizinho do que um projeto que privilegie a segurança, dirigibilidade, performance e economia.

Só ver pela audiência que uma merda de emissora como a Globo tem por aqui, que já temos o perfil de boa parte do povo. Passional, emotivo e que compra as coisas guiado pelas aparências e não pela racionalidade.

Vou esquentar a cabeça porque meu carro não é o mais vendido ou não impressiona o vizinho? De jeito nenhum... O que importa realmente é que comprei um ótimo carro, que me dá prazer ao dirigir, de boa performance e de bom acabamento.

Tbem estou muuito satisfeito com o meu. A grande maioria dos Brasileiros, ainda compram carro por histórico familiar, não tem costume de leitura e não compreendem que o mundo esta mudando, em plena evolução, inclusive os carros produzidos no Brasil!
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30/08/2014, 13:12
Resposta: #8
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
Acho que a VW deveria equipar mais, "seus" carros, inclusive o up claro.
Ex: Oferecer no mínimo:
Take up adicionar, travas e vidros elétricos, R$27.190
Move up adicionar, direção elétrica, auto falantes e tri elétrico, R$30.500
High up adicionar, ar condicionado e sistema de som, por R$37.300

*Preços: Take e Move 2 portas e High 4 portas.

Do meu ponto de vista, desta forma a VW deixaria o UP com um bom CxB elevando consideravelmente as vendas do mesmo e em consequência disto ter mais lucros.
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31/08/2014, 11:13
Resposta: #9
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
Com referência ao Etios, deveriam mudar o painel central para o lugar tradicional pois acho que envolve a nossa segurança desviando em muito ao olhar para a lateral.
Quanto ao UP! acho que deveriam mudar a posição do ar condicionado central para o normal isto é em direção a você que é o tradicional por ser um país muito quente. Quero ver quando chegar em janeiro/fevereiro se o pessoal não irá reclamar.
O encosto da cabeça também deveria ser articulado ao gosto do freguês.
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31/08/2014, 23:10 (Resposta editada pela última vez em: 31/08/2014 23:18 por erlon79.)
Resposta: #10
RE: Etios e Up: por que alguns carros não emplacam
Um dos motivos de um carro como o Up! não encontrar maior aceitação no Brasil é a mentalidade do brasileiro que insiste em comprar carros como o "velho e bom" Gol G4 que insiste em não se aposentar.
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